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porque amar?
Se tem algo tão sem "porque" é o amor. E é inevitável perguntar, que face do amor escondemos, forjamos ou moldamos para impressionar. O amor em si não tem seu lado vazio, sujo, triste?
O que me deixa desesperado no momento é que o amor que sentia nada mais era que apenas o "meu amor", algo que inventei, moldei para esconder o desespero. E talvez nem era sentimento e sim uma desculpa para esconder algo mais essencial: eu.
rio de óleo diesel sobre trilhos
Durante o caminho volta, ainda na linha norte-sul adentra no vagão uma mulher de aproximadamente 35 anos. Imediatamente meu olhos distraídos se torna atenciosos e não consigo evitar sua obsessão. Cabelo curto de extrema negrura que se contrasta fortemente com sua pele clara, corpo delineado que talvez o jeans os torne mais desejáveis juntamente com sua ”blusinha” colada ao corpo (que não deixa duvidas do que se vê) e profundas olheiras, de um denso preto, olhos que parecem estar prestes a serem afogados em um rio poluído com óleo diesel. Me vem a imagem da insônia e ou uma “pin-up” de um possível (ou impossível) cartaz de benzodiazepínicos. Depois que consumimos o desejo queremos “consumir” o objeto de desejo ou a pessoa que deseja. Tudo então se torna problema e quem é infeliz acaba por consumir o problema também. O cheiro de metal queimado dos freios, o trotar metódico do atrito da roda com os trilhos…Continua um mistério da humanidade Hollywood insistir em seus filmes que é um lugar onde pessoas se encontram, se apaixonam; mas já vi muitas desavenças , socos, empurrões, o suor que escorre pelos “canos” que apoiamos as mãos, as caras de zumbi de todos esperando seus destinos…. Mas e se acontecer dê se apaixonar? Olheiras se encontram nos lugares em que menos esperamos! Daí que a fantasia se desmancha na realidade e agora remontamos na ficção.
Fatos:
- Você quer e ela não espera por isso.
- Meu cabelo é bagunçado
- Ela demonstrava cansaço, conseqüentemente péssimo humor
- Eu também estava de péssimo humor
- No metro, a angustia da pressa é regra, então todos estava de péssimo humor
E assim continuo pensando no poético rio poluído de óleo diesel e no passar rápido de luzes, vozes, pessoas de tom amarelo até chegar no destino ou no que chamo de "momento de dispersão de humanos desesperados". Uma porta automática me separa do rio cheio de combustível inflamável. E a escada “me sobe” até lá em cima, onde tudo continua anormal (ultimamente nada me volta ao normal).
E agora a historia se resume aqui num email para uma amiga distante, que um dia teve o “privilegio” de me conhecer (essas aspas são pesadas demais) durante sessões de psicanalise. Mas agora vem o final surpresa, depois dessa longa volta ao menos serviu para resolver a grande questão que pertuba a humanidade! Porque se fazem filmes de encontros românticos em trens suados? Justamente porque eles não acontecem! Quem os escreve estavam voltando do hospital e se depararam com um jeans volumoso de olhos de diesel e etc, etc, etc…
Mais uma vez o obvio se resolve e nisso também me resolvo.