Archive for the ‘crônicas’ Category
depressão
Depressão é um desses temas muito falado ultimamente mas pouco compreendido. Eu sofro do problema desdadolescência ,mas tratamento e “aceitação” ocorreu apenas 5 anos atrás após internação. O tema do post foi sugerido pelo meu amigo Tóin e no texto ele expôs claramente a diferença entre tristeza e depressão. Segue o link: http://supertoin.wordpress.com/2009/11/18/depressao-a-verdade-esta-aqui/
Mas não quero falar sobre o processo de terapia, medicação e o meu caminho até aqui. Só dizer que tive toda a cura possível da psicologia, mas nem mesmo ela pode me amar. Dai nos jogam de volta a esse mundo de pessoas enrustidas, promessas vazias,e de sentimentos descartáveis. O que resta é voltar a se cobrir com máscaras e ter que engolir toda a saudade como se não tivesse gosto.
Saiba, é tudo mentira; e essa foi verdade mais difícil de aceitar.
trânsito (a divina tragédia)
Não havia percebido o apocalipse chegar, mas a legião do mal estava anos fazendo seu trabalho e meus olhos e nariz não entendia o que estava acontecendo, até o momento. Se Dante Alighieri vivesse hoje haveria automóveis pelo inferno, buzina, monoxido de carbono. Sim, o carro é sinal do fim dos tempos, máquinas da loucura, a representação da estupidez humana com versões “total-flex” e “1.8”. Você olha ao lado e se pergunta: “para onde todas essas pessoas estão indo?”, a questão se torna mais dramática quandos se ve a mesma manada seguindo direção oposta. Os ônibus, caminões, “velhos corcundas” do transito com seu pulmão cheio e inconfudivel resmungo ensurdecedor . Isso para não falar dos ratos permeiando os carros, motoqueiros de pobre imaginação que pensam que as faixas são linhas para as motos seguirem, assim dão direito de andar entre os carros, derrubando espelhos com pés e ainda acusa o motorista de fechá-los. Deveriam ser fuzilados por não seguirem o fluxo como qualquer imbecil, mas não seria o inferno o bastante sem suas buzinas e a boca cheia de merda a qual não conhece o plural: o “diabo” odeia a gramática. E continuemos com a luta, com o fim, semeando o cancer e enfisemas num modelo importado ano 93 ou em um nacional em suaves prestações com juros absurdos como supositório.
rio de óleo diesel sobre trilhos
Durante o caminho volta, ainda na linha norte-sul adentra no vagão uma mulher de aproximadamente 35 anos. Imediatamente meu olhos distraídos se torna atenciosos e não consigo evitar sua obsessão. Cabelo curto de extrema negrura que se contrasta fortemente com sua pele clara, corpo delineado que talvez o jeans os torne mais desejáveis juntamente com sua ”blusinha” colada ao corpo (que não deixa duvidas do que se vê) e profundas olheiras, de um denso preto, olhos que parecem estar prestes a serem afogados em um rio poluído com óleo diesel. Me vem a imagem da insônia e ou uma “pin-up” de um possível (ou impossível) cartaz de benzodiazepínicos. Depois que consumimos o desejo queremos “consumir” o objeto de desejo ou a pessoa que deseja. Tudo então se torna problema e quem é infeliz acaba por consumir o problema também. O cheiro de metal queimado dos freios, o trotar metódico do atrito da roda com os trilhos…Continua um mistério da humanidade Hollywood insistir em seus filmes que é um lugar onde pessoas se encontram, se apaixonam; mas já vi muitas desavenças , socos, empurrões, o suor que escorre pelos “canos” que apoiamos as mãos, as caras de zumbi de todos esperando seus destinos…. Mas e se acontecer dê se apaixonar? Olheiras se encontram nos lugares em que menos esperamos! Daí que a fantasia se desmancha na realidade e agora remontamos na ficção.
Fatos:
- Você quer e ela não espera por isso.
- Meu cabelo é bagunçado
- Ela demonstrava cansaço, conseqüentemente péssimo humor
- Eu também estava de péssimo humor
- No metro, a angustia da pressa é regra, então todos estava de péssimo humor
E assim continuo pensando no poético rio poluído de óleo diesel e no passar rápido de luzes, vozes, pessoas de tom amarelo até chegar no destino ou no que chamo de "momento de dispersão de humanos desesperados". Uma porta automática me separa do rio cheio de combustível inflamável. E a escada “me sobe” até lá em cima, onde tudo continua anormal (ultimamente nada me volta ao normal).
E agora a historia se resume aqui num email para uma amiga distante, que um dia teve o “privilegio” de me conhecer (essas aspas são pesadas demais) durante sessões de psicanalise. Mas agora vem o final surpresa, depois dessa longa volta ao menos serviu para resolver a grande questão que pertuba a humanidade! Porque se fazem filmes de encontros românticos em trens suados? Justamente porque eles não acontecem! Quem os escreve estavam voltando do hospital e se depararam com um jeans volumoso de olhos de diesel e etc, etc, etc…
Mais uma vez o obvio se resolve e nisso também me resolvo.