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(silencio!)

Archive for the ‘contos’ Category

o dia em que o punk morreu

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Era um dia como qualquer outro, exceto por ser um dia que não poderia ser como qualquer outro e com toda a desgraçada de um adjetivo foi um dia. Jamilson, 35 anos, solteiro,metalurgico, distimico, com um moicano de R$ 15,00 e que nutria paixão pela disciplina nazista ainda que andasse sempre com sua camisa com o velho simbolo anarquista; foi atropelado por um carrodo IML que fugiu, negando socorro e ou qualuquer tipo de ajuda ao agora pastoso sujeito. O punk será esquecido como é esquecido os dias qualquer e como todo artigo de um jornal que logo servirá de banheiro para algum papagaio ou animal domesticado (e os não domesticados também).

*Artigo extraido de um jornal de bairro. Houve uma grande comoção que gerou protestos e na última terça-feira rezaram uma missa de sétima dia para o falecido punk.

Escrito por Carlos Saraiva

03/10/2009 em 9:02 pm

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palavras ao cubo

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Vivendo entediado e aborrecido dentro de um enorme cubo de vidro, começo a versar suas paredes com as minhas unhas por um impulso desconhecido mas ainda sim familiar. O que era feito apenas para distrair acabou tendo um propósito, que melhor forma de comunicar com o mundo finalmente poderei ser ouvido!
 
Mas o tempo passa, mais e mais versos são colocados sobrescritos, traços cortando erros e mais e mais um mosaico de garranchos se forma. Como sujeito que sou parei para olhar a minha obra. A principio me causa risos e logo o riso cede lugar a aflição: “Para onde você foram, queridas palavras!?”. Percebo então que nada comuniquei, tudo está ao contrário para quem o vê e o que vejo é só palavras que antes pareciam fazer parte de algo agora é só parte da parede, um horroroso quadro pendurado. Então o tédio retorna, pendura seu chapéu e casaco: “Boa noite!”, dizendo com aquela suavidade que chega a ser criminosa. Faço um café, sentamos a mesa e com a minha mão ostentando minha cabeça olho a cada gole o senhor Tédio. Ele é a minha imagem e semelhança, chega a me confudir:  estou do outro lado da mesa? Não mas uma coisa está, está como você no fundo sempre desejou!-responde o tédio e continua –Sinta-se Deus, criou o mundo perfeito!
Novamente me pego em cheque mate e sempre o Tédio com aquela velha resposta: “Terá de tolerar a insatisfação mesmo quando conquistou tudo, terá de tolerar a insatisfação mesmo satisfeito!”, sempre com o sorriso maldito, sempre com retórica vazia e sem sentido dizendo numa felicidade pertubadora.
 
A cena se repete, de irritar o próprio tédio, viro a mesa e me deito no chão, sinto o frio do azulejo e me sinto bem de novo. O Tédio então se despede: “Então ate amanhã??”. Murmuro um sim, e então me deixo dormir.

Escrito por Carlos Saraiva

22/07/2009 em 1:10 am

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perdendo identidade

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A psicanalise destroi pessoas. Cadê minha loucura? Antes causava medo, más impressões agora me dizem: “você é legal cara!”.  Cadê o velho antisocial, apático, psicótido eu? Agora passo os dias a pensar coisas boas, dizer eu te amo à minha mãe. Estou enlouquecendo? Quem sou eu? Tudo o que queria era ser normal mas ganhei nada com isso, somente aprovação social. Preciso da minha incosequência devolta! Preciso dela agora…

Carlos então resolve ir a terapeuta, acreditando que haveria garantia caso quisesse a loucura de volta.

- Bom dia, Carlos!

- Hoje estou aqui porque quero a minha loucura de volta. Esses anos todos tem sido pertubadores, empatia não é relmente que quero na vida. Muito menos amor, compaixão e auto-aceitação.

- Mas não posso fazer nada em relação a isso. A escolha foi sua, fiz meu trabalho, agora se aguente, nunca lhe fiz promessas de que seria melhor.

O silêncio passa a preencher os segundos daquela sala. Carlos impaciente, frustrado batendo os pés num ritmo frenetico, em sua cabeça mil coisas e uma delas uma música do Queens of The Stone Age. A sessão acaba.

- Nossa tempo acabou. – o velho bordão psicanalítco.

Ambos se levantam, ela abre a porta eles se entreolham. Carlos diz: você me tirou algo e algo de ti terei que levar tambem. Ele avança e a beija fortemente na boca, ela dissumula resistencia mas com medo de quem alguem o vissem empurra-o fortemente. O olhar confuso e a boca semi-aberta, se entreolham por mais alguns segundos, segundos que pareceram horas. Ele se vai. Carlos não aceitando a loucura que se foi e a terapeuta não aceitando a loucura que está por vir.

Escrito por Carlos Saraiva

13/07/2009 em 12:00 am