Archive for the ‘contos’ Category
o dia em que o punk morreu
Era um dia como qualquer outro, exceto por ser um dia que não poderia ser como qualquer outro e com toda a desgraçada de um adjetivo foi um dia. Jamilson, 35 anos, solteiro,metalurgico, distimico, com um moicano de R$ 15,00 e que nutria paixão pela disciplina nazista ainda que andasse sempre com sua camisa com o velho simbolo anarquista; foi atropelado por um carrodo IML que fugiu, negando socorro e ou qualuquer tipo de ajuda ao agora pastoso sujeito. O punk será esquecido como é esquecido os dias qualquer e como todo artigo de um jornal que logo servirá de banheiro para algum papagaio ou animal domesticado (e os não domesticados também).
*Artigo extraido de um jornal de bairro. Houve uma grande comoção que gerou protestos e na última terça-feira rezaram uma missa de sétima dia para o falecido punk.
palavras ao cubo
perdendo identidade
A psicanalise destroi pessoas. Cadê minha loucura? Antes causava medo, más impressões agora me dizem: “você é legal cara!”. Cadê o velho antisocial, apático, psicótido eu? Agora passo os dias a pensar coisas boas, dizer eu te amo à minha mãe. Estou enlouquecendo? Quem sou eu? Tudo o que queria era ser normal mas ganhei nada com isso, somente aprovação social. Preciso da minha incosequência devolta! Preciso dela agora…
Carlos então resolve ir a terapeuta, acreditando que haveria garantia caso quisesse a loucura de volta.
- Bom dia, Carlos!
- Hoje estou aqui porque quero a minha loucura de volta. Esses anos todos tem sido pertubadores, empatia não é relmente que quero na vida. Muito menos amor, compaixão e auto-aceitação.
- Mas não posso fazer nada em relação a isso. A escolha foi sua, fiz meu trabalho, agora se aguente, nunca lhe fiz promessas de que seria melhor.
O silêncio passa a preencher os segundos daquela sala. Carlos impaciente, frustrado batendo os pés num ritmo frenetico, em sua cabeça mil coisas e uma delas uma música do Queens of The Stone Age. A sessão acaba.
- Nossa tempo acabou. – o velho bordão psicanalítco.
Ambos se levantam, ela abre a porta eles se entreolham. Carlos diz: você me tirou algo e algo de ti terei que levar tambem. Ele avança e a beija fortemente na boca, ela dissumula resistencia mas com medo de quem alguem o vissem empurra-o fortemente. O olhar confuso e a boca semi-aberta, se entreolham por mais alguns segundos, segundos que pareceram horas. Ele se vai. Carlos não aceitando a loucura que se foi e a terapeuta não aceitando a loucura que está por vir.